quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Eu rabisco o sol, que a chuva apagou..."

É, parece que não vai dar mesmo. Ok, podem me chamar de negativa, mas eu já sofri com ilusão, sei como dói e por isso não preciso de mais uma. É como dizer pra uma pessoa sem braços, que fique tranquila e espere que o braço dela vai nascer. Não vai. Algumas coisas são realmente impossíveis. Eu queria apenas passar por todas as fases da vida, como as pessoas normais, não é nada do tipo: "Ohhhhhhh quero muito ser mãe, e vou morrer por causa disso." Não. Só quero nascer, crescer, reproduzir e morrer, é pedir demais? Saber o que é ficar grávida, passar por isso pelo menos uma vez.

Hoje peguei na internet os resultados dos exames das dosagens hormonais. O primeiro deles foi o estradiol, que deu 5.0 pg/ml. De acordo com os marcadores, está num nível de pós-menopausa. O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e é o mais importante, é ele quem estimula a liberação do óvulo, e as contrações das trompas de falópio que empurram o óvulo fertilizado até o útero. Mais informações clica aqui.


O segundo hormônio é o FSH. Esse é quem comanda a produção dos óvulos. Conversando com minha cunhada Tati, que é médica, ela me disse que níveis elevados não são bons, por que mostram que a hipófise (que é quem produz esse hormônio) está produzindo no nível máximo, pra tentar ovular, por que provavelmente existem poucos (ou nenhum) óvulos. E meu nível de FSH está altíssimo, 138 mUI/ml. Ela ainda diz que nos casos de investigação de infertilidade seria bom fazer exames mais invasivos para verificar se existem óvulos viáveis, e congelá-los para não ter o risco de ficar infértil de vez.


Agora, só falta fazer o ultra-som e constatar que realmente não há nada lá. E é assim que eu vou pra esse exame, por que não preciso mais de falsas esperanças. Nem chorei muito, derramei apenas uma lágrima, mas isso não vai ajudar mesmo, estou pensando agora nos nomes dos dois bebês que eu vou adotar. Tati, assim como minha mãe, acha que pode mudar, que meu corpo pode reagir de forma diferente no futuro. Depois de pesquisar sobre o alto nível de FSH ela já não foi mais tão positiva assim. Mesmo assim ela me disse que o corpo humano não é receita de bolo, e que se tiver de haver alguma recuperação, vai ter, e mesmo com as altas chances de não ter, não sabe se é definitivo.

Não acho que vai fazer bem pra mim acreditar nisso. Como eu disse, braços não nascem novamente, assim como óvulos não vão brotar dentro de mim. O mais frustrante é ver coisas como a que eu vi hoje no jornal, uma mulher em Garanhuns vendendo o próprio bebê por 3 mil reais. Como eu já disse, odeio o caos que é o Universo. Mas se ele decidir ser favorável pra mim, ótimo. Se não... Milagres realmente não acontecem. Ou pelo menos na minha vida não têm que acontecer, e o nível de sofrimento aumenta igual ao FSH, no máximo!

Sim, estou muito feliz de ainda estar viva, mas isso não me impede de ser um pouco triste. 



"E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz, mas tudo bem..."

Um comentário: