segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O especialista em reprodução humana e o bônus: 3 anos sem colonoscopia!! EFE-É-ELE-I-ZÊ

Vim para contar sobre "a hora da verdade". Duas consultas hoje: a de Dra Claudia - proctologista e a de Dr. Agostinho - reprodução humana. Vou me estender apenas na segunda, ok? Até por que a boa notícia é que só farei nova colonoscopia daqui a 3 anos!! TRES ANOS! YHHUUUUULLLLL! Tô livre! Fora isso, Dra. Claudia me disse que essa "loucura" intestinal melhora após um ano de cirurgia... Afinal foi retirado mais da metade do meu reto/sigmóide. Por isso vou várias vezes ao banheiro. Mas ela ficou muito feliz de me ver muito bem, e falou que é preciso apenas acompanhar o marcador tumoral e pediu que voltasse pra ela de vez em quando.

Agora o médico especialista em reprodução... Levei vários exames, contei meu caso pra ele. Vou tentar não estender muito o post, mesmo que isso seja impossível. Meu namorado estava ao meu lado, o médico perguntou se Allan estava comigo já durante o CA... E mais uma vez ele disse que era bom, pois assim eu não estava sozinha nesse momento tão difícil. 

Ele perguntou se algum  médico mencionou que eu deveria fazer algo para preservar a fertilidade. Respondi que nenhum . Mesmo que certos procedimentos já sejam feitos no Brasil, segundo ele falou. Mas infelizmente é como eu disse a meu namorado. Uma coisa é um CA de mama, ovário ou útero em uma mulher jovem, onde o médico do diagnóstico é um ginecologista. Outra coisa é um diagnóstico de um CA que só dá em idoso, e o médico nunca teve uma paciente jovem em idade reprodutiva. Grande azar...

Tive vontade de chorar em alguns momentos, como por exemplo, quando ele me disse que meus ovários realmente não existem mais. Ele não vai fazer exame de reserva ovariana... Apesar de aparecer algo nos exames, ele explicou mostrando uma peça em tamanho real, que aparece no exame apenas uma massa que "segura" os folículos. O valor do meu FSH está muito alto, na verdade ele disse "altíssimo", o que prova que não existem mais folículos lá para se tornarem óvulos. Ele foi bem sincero, disse que era bem cético e que não iria mentir, nem me dar falsas esperanças. Se o meu exame caísse nas mãos dele ele diria que é de uma idosa na menopausa, nunca diria que é de alguém com 30 anos. Para minha idade o FSH deveria dar, 5 ou 7. O meu está em 157.

Falei que o único médico que apoia a Reposição Hormonal é Dra. Roberta, a oncologista. E falei da opinião da outra ginecologista, que acha que eu não deveria fazer, nem pelo CA que tive, e ainda pelo fato de minha mãe ter tido o CA de mama. Dr. Agostinho primeiro me perguntou se ela era velha ou nova, eu disse que era nova. Ele me disse: "Por isso que ela disse isso, ela não sabe pelo que você está passando". Quando ele disse isso... Putz, era como se houvesse uma pessoa no mundo que realmente entendesse o que venho passando, e percebesse que não é normal. Ele começou a elencar vários problemas que estão além dos "calores". Poxa vida, eu só tenho 30 anos. É mesmo justo eu viver mais 30 como se já tivesse 50?

Segundo o médico, uma coisa é a menopausa vir para uma mulher madura de 50 anos, outra muito diferente é no meu caso. Além de toda situação traumática que eu vivenciei, com um câncer a qualidade de vida cai muito. A ausência do estrogênio e da progesterona segundo Dr. Agostinho causa os calores, a perda da libido, problemas cardíacos e ósseos e uma série de coisas que vão levando a um quadro depressivo, fora todo o problema da doença que eu tive que passar. Quando ele falou em "depressão", meu namorado riu, e ficou lá balançando a cabeça concordando... E pior, eu passar mais 30, 40 anos da minha vida nesta situação. É tudo muito frustrante pra mim. Então ele disse que sim, eu preciso da reposição hormonal!

A consulta foi muito esclarecedora em muitos aspectos. Falei da questão da minha idade, das nossas pretensões de casar e de quando ter filhos e da minha preocupação de não ser também "tarde demais", afinal existe uma idade limite, e o tratamento muitas vezes é penoso e leva muito tempo em tentativas que podem não dar certo de primeira. Ele me disse que ainda sou nova, e que podemos começar aos poucos, pra quem sabe quando eu tiver, 33 ou 34 anos. Para começar, farei a reposição tomando em comprimido estrógeno e progesterona. Ele me perguntou se eu queria menstruar, e foi engraçado, pois essa é a única coisa da qual eu não faço questão! Tomarei um comprimido por dia, e se houver um sangramento, que não é para ter, mas se houver é um bom sinal pois indica que o endométrio está funcionando bem para receber um bebê.

Além da reposição hormonal, farei uso de hormônio local na tentativa de melhorar os efeitos físicos causados pela radioterapia. Não falamos sobre preços, e nem um plano para FIV, nada. Apenas vamos ver como meu corpo reage com a terapia, para que eu me sinta bem novamente. Ele quer que eu volte com 3 meses de terapia, mas se eu tiver qualquer dúvida posso voltar lá. 

Mostramos pra ele que já aceitamos todas as possibilidades, que um banco de óvulos não será um problema, tanto Allan quanto eu topamos. Ele foi muito sensível e atencioso, dizendo que apesar de não ser meu óvulo, o filho será meu, vou carregar na barriga, vou amamentar, vou sentir tudo normal de uma gravidez, meu namorado precisará fazer um espermograma e o bebê pode nascer tanto parecido comigo quanto com ele, pois o óvulo é escolhido a partir de uma mulher com características o mais próximo possível do meu biotipo.

Eu estou realmente feliz! E louca para contar tudo pra Dra. Roberta! Ver a opinião dela também. Do mesmo jeito que eu falei aqui pra vocês, falei pra Dr. Agostinho que se mesmo assim eu vier a ter o CA de mama, não tenho nenhum problema de retirar as mamas, ele riu e disse "como fez Angelina Jolie". Exatamente! Eu não tenho medo de fazer a reposição, principalmente com o aval da minha oncologista. Eu prefiro fazer e ter uma vida próxima do que seria se esse câncer não tivesse acontecido. Eu estou bem, estou viva. Eu realmente acho que mereço isso. :(

Agora sim eu estou muito feliz e empolgada pra essa nova fase, um novo tratamento. A recuperação da minha auto-estima, voltar a me sentir bem de novo, me sentir "mulher" de novo. A esperança de ter um casamento normal como qualquer pessoa da minha idade. A esperança de ter um filho, mesmo sem meu DNA. E, não! Não me esqueci da criança que vamos adotar e dar um irmãozinho para nosso bebê! Agora é uma coisa de cada vez, que meu útero e meu endométrio respondam bem aos hormônios, já será uma boa resposta para que tudo dê certo e eu não precise de uma barriga de aluguel, por que aí complica mais um pouco... O médico disse que segundo a legislação, teria que ser uma irmã ou mãe, eu não tenho irmã, minha mãe sem condições... A irmã do meu namorado é muito nova, e primas.. Eu sou a prima mais nova! As outras já estão perto dos 40 anos. Se for o caso, ele disse que pode entrar na justiça para conseguir alguém que não é parente de primeiro grau, como uma amiga... Alegando que o meu problema foi causado por conta do câncer e isso sensibilizaria o juiz e que existe jurisprudência para isso. Ou seja, complica um pouco, né?

Por favor, torçam comigo!
E como Dr. Agostinho me disse hoje, que depois de tanta tempestade, possa começar a vir coisas boas de agora em diante. Eu realmente preciso.

Abraços! Feliz Natal! E que papai noel te dê o seu maior desejo! Meu presente deste ano ganhei hoje com essa consulta super positiva!!!



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